Avó ensina balé a crianças e adolescentes

Mazé Cruz, 67, ensina balé às crianças e adolescentes
na varanda de casa
MIGUEL PORTELA
29/11/2006
É na casa número 91, da Rua 12, no bairro Quintino Cunha, que 36 crianças e adolescentes, entre seis e 16 anos, ensaiam os primeiros passos enquanto sonham com a carreira profissional de bailarina. A graça e precisão exigidas pela dança é repassada com sabedoria pela professora Mazé Cruz, de 67 anos.
O projeto surgiu por acaso, em dezembro de 2002, e começou apenas com duas crianças, netas da professora. O amor pela dança, pela vida e por cada nova aluna que se somava ao grupo despertou em dona Mazé o interesse de desenvolver um trabalho social. Com recursos próprios, ela transformou parte da casa em uma escolinha.
As aulas acontecem às terças, quintas e sábados, sempre a partir das 16 horas. Nos dias de eventos especiais, a varanda da casa de dona Mazé, ponto de encontro das mães que acompanham de perto a evolução das filhas, é transformada em palco. Mas, no dia-a-dia, é na sala de dança, com paredes espalhadas, que acontecem as aulas.
Em um quarto e um corredor, estão guardados os figurinos e acessórios das apresentações. É dona Mazé também a responsável por cada um desses detalhes, da coreografia à confecção das roupas. O conhecimento repassado às alunas ela continua aperfeiçoando. Já que a professora é também aluna de balé, no Teatro São José, sob a orientação de Regina Santiago.
“Dançava quando era estudante. Mas casei e parei. Tive nove filhos. Quando um deles faleceu, aos 34 anos, em um acidente de carro, resolvi voltar ao balé. Um ano depois comecei a participar das aulas no Teatro São José e continuo até hoje. Vou aprendendo e ensinando”, conta dona Mazé, com orgulho.
A dedicação da professora é admirada por cada uma das alunas e mães. “A gente vê o empenho dela, que não cobra nada pelo bem que faz as nossas filhas. Para as crianças, é maravilhoso. Além de praticarem um exercício, elas aprendem coisas novas e se divertem muito. Somos muito gratas”, revela Joseli Lopes, mãe da pequena bailarina Ana Jennifer, de seis anos, há cinco meses na escolinha.
Sílvia Alves, mãe da Luciana, de sete anos, acompanha cada novo passo de balé aprendido pela filha. “Luciana e eu tínhamos muito interesse na dança, mas faltava condições financeiras para colocá-la em uma escolinha particular. Aqui não, é gratuito. E ainda fazemos passeios nos fins de semana. Já fomos conhecer o Museu da Cachaça e vários outros lugares”, destaca.
SERVIÇO: Informações sobre a escolinha de balé ou interesse em colaborar com o projeto pelo telefone (85) 9974.4098.
SONHO
“Sempre gostei de balé. Sonho um dia me tornar uma grande bailarina. Sou muito feliz por dançar. Sei que posso chegar a ser uma bailarina profissional." -Ana Paula Faria da Silva, dez anos
“Não gosto de capoeira. Mas sempre tive interesse pelo balé. Acho muito bonito, os passos, as roupas, a delicadeza da dança. E, com a ajuda da tia Mazé, tenho aprendido muito” - Paula Jéssica da Cunha, dez anos